A mastite bovina é uma inflamação do tecido mamário causada, na maioria das vezes, por infecção bacteriana. É reconhecida como a doença de maior impacto econômico na pecuária leiteira mundial, tanto por suas perdas diretas de produção quanto pelos custos indiretos relacionados ao descarte de leite, medicamentos, perda de vacas e penalizações por qualidade (Ruegg, 2017; Oliveira et al., 2021, J. Dairy Sci.).
Importância econômica
A mastite clínica ocorre em aproximadamente 25% das vacas em lactação por ano, enquanto a mastite subclínica afeta 35 a 40% do rebanho, sendo responsável por reduções de 5% a 15% na produção individual de leite (Schukken et al., 2020; Bradley & Green, 2018).
Essas perdas se intensificam em vacas de alta produção (acima de 9.000 kg/ano), nas quais níveis de CCS superiores a 200.000 células/mL estão associados a reduções médias de 1,5 a 2,5 litros/vaca/dia (Harmon & Neave, 2018).
A infecção da glândula mamária inicia-se quando microrganismos patogênicos penetram o canal do teto, superando as barreiras anatômicas e químicas de defesa. O esfíncter e o tampão de queratina atuam como barreiras primárias, impedindo a entrada de agentes externos.
Quando essa proteção é rompida, as bactérias colonizam o epitélio alveolar, desencadeando uma resposta inflamatória caracterizada pelo aumento da contagem de células somáticas (CCS) e liberação de mediadores inflamatórios, como IL-1β, IL-6 e TNF-α (Paape et al., 2019; NASEM, 2021).
A reação inflamatória, embora necessária para eliminar o agente infeccioso, causa danos às células secretoras e redução temporária da síntese de lactose e gordura, resultando em queda imediata da produção de leite.
Barreiras anatômicas
O úbere saudável apresenta múltiplas camadas de defesa que atuam de forma integrada. Essas barreiras são classificadas como estruturais (físicas) e imunológicas (celulares e humorais).
Tabela de comparação
| Tipo de barreira | Localização | Função principal | Limitações |
|---|---|---|---|
| Queratina do canal do teto | Interior do canal | Impedir adesão bacteriana | Pode ser removida por ordenha agressiva |
| Esfíncter do teto | Extremidade inferior do canal | Bloquear entrada de patógenos | Lesões mecânicas facilitam infecção |
| Epitélio alveolar | Lúmen da glândula | Produção de substâncias antimicrobianas | Sensível à inflamação prolongada |
| Macrófagos e neutrófilos | Lúmen e tecido conjuntivo | Fagocitose e destruição de patógenos | Excesso causa dano tecidual |
| Anticorpos locais (IgG, IgA) | Leite e fluido intersticial | Neutralização de toxinas e bactérias | Resposta lenta em infecções agudas |
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